Equitação de Trabalho - Astro V8 e Luíza Magalhães vencem em Águas de Lindóia

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Conjunto do Haras das 8 Virtudes ganha prova que reuniu animais de várias raças no interior de São Paulo
 
            A Equitação de Trabalho, tradicional prova funcional de reconhecimento internacional em vários países do mundo, começa a ganhar espaço em terras brasileiras e mostrar que pode ser uma competição aberta a todas as raças. Uma mostra disso ocorreu no fim de semana de 16 a 18 de setembro, em Águas de Lindóia (SP), onde foi realizada uma nova etapa do Campeonato Paulista da modalidade, organizado pela ABPSL (Associação Brasileira de Puro Sangue Lusitano).          Além dos Lusitanos, promotores do evento, houve participações de um cavalo Crioulo, uma égua Quarto de Milha e de dois Mangalarga Marchadores. E quem levou a melhor foi o garanhão marchador Astro V8, do Haras 8 Virtudes, montado por Luíza Magalhães.
O conjunto encantou o público presente com uma apresentação que reuniu habilidade funcional do cavalo com equitação de alto nível, uma combinação rara em provas do gênero promovidas pelo Brasil afora por várias raças. A jovem amazona Luíza Magalhães e Astro V8 ficaram o título de campeão na categoria Amador 1, após obter o 3º lugar na prova de ensino e vencer as provas de maneabilidade e de velocidade.
            O resultado foi muito comemorado pelo criador Ricardo Bacelar, titular do Haras das 8 Virtudes, que cria Mangalarga Marchador e Lusitanos.    “ Quando definimos o tipo de cavalo que queremos criar, escolhemos o Mangalarga Marchador e determinamos os critérios de seleção, baseando-nos em características da raça e nas situações que mais gostamos de desfrutar com os cavalos”, explica ele, destacando que a Equitação de Trabalho reproduz todos os obstáculos das tarefas de campo e, sobretudo, é uma modalidade reconhecida mundialmente. “Essa é a melhor forma de mostrar todas as qualidades de nosso Manga-larga Marchador para o mundo”, argumenta.
Bacelar explica que quando decidiu criar cavalos buscou conceitos que justificassem os objetivos do projeto, recompensando o trabalho e os investimentos realizados. “Assim, criamos o conceito das ‘8 Virtudes’, definindo claramente os objetivos da nossa criação. Ou seja, cavalos que tenham vontade de trabalhar, inteligência para aprender, rusticidade para viver em liberdade, temperamento equilibrado, utilidade nas funções de sela, docilidade para desfrutarmos do seu convívio, elegância que não cansamos de admirar e suavidade no cavalgar”, explica ele.
            Bacellar conta que, durante a fase de aprendizado, foi a Portugal, origem dos ancestrais da raça, conhecer a Coudelaria Real de Alter do Chão e a feira de Golegã.  Lá, por acaso, forams seguindo o público que caminhava pelas ruas da cidade até chegar a um belíssimo campo, onde encontraram um verdadeiro espetáculo equestre! “Eram Cavalos imponentes encilhados com toda a tradição campeira portuguesa e montados por amazonas e cavaleiros com trajes a rigor “, conta. “Era a Equitação de Trabalho, uma modalidade equestre que imediatamente adotamos, pois vimos uma grande adequação para testar pelo menos 4 das 8 virtudes: Vontade, Inteligência, Temperamento e Utilidade!”, lembra.
            De volta à casa no Brasil, a escolha do Astro para iniciar o treinamento também foi criteriosa. Filho de Sheiko L.J. e Faísca da Selva Morena, o jovem garanhão tem sangue JB, uma das mais tradicionais linhagens de trabalho da raça. “Desde potrinho, acreditamos nele como forte candidato a ser nosso principal reprodutor, pois sempre demonstrou alto potencial para representar bem a seleção das 8 Virtudes”, justiça o criador.
            Bacellar conta que, durante sua educação básica, teve como mestre um amigo muito especial, o hipólogo Sérgio Lima Beck, um respeitado estudioso da raça e hábil treinador! “É fundamental dar o melhor início possível a um cavalo na sua interação com os humanos. E não poderia ter sido mais bonito ver o Sérgio trabalhando com o Astro”, diz.
            Escolhido o cavalo, o próximo passo era definir uma escola para o treinamento na Equitação de Trabalho. “Foi quando as ideias se encaixaram perfeitamente”, diz Bacelar, sobre a escolha da Coudelaria Função, onde o cavaleiro Ndzinji é um genuíno representante da equitação portuguesa e a amazona Luíza faz um conjunto maravilhoso com o Astro.
            A prova de Águas de Lindóia foi o primeiro grande teste. “Levamos um representante da rusticidade da nossa criação, para testar sua vontade, inteligência, temperamento e utilidade, com toda a doçura, elegância e suavidade da Luiza Magalhães”, explica. E pelo jeito deu certo. Na que vem sendo chamada de “Golegã” brasileira, Astro V8 e Luíza Magalhães mostraram que o Mangalarga Marchador e uma boa equitação formam um conjunto perfeito.
 
O que é a Equitação de Trabalho
A competição consiste em três provas: ensino, maneabilidade e velocidade. Na prova de ensino, o conjunto deve cumprir uma sequência de movimentos, chamada reprise, onde é avaliada a qualidade dos andamentos ao passo, trote/marcha e galope na execução das figuras da reprise. A classificação é pelas notas dos juízes, como numa prova de adestramento.
            A prova de maneabilidade é uma sequência de obstáculos variados que reproduzem situações de trabalho no campo: porteira, redil, ponte, lança e argolas, salto, etc. O exercício de pegar 2 argolas com a lança, por exemplo, simula o trabalho do vaqueiro espanhol, chamado “derribo”, onde a vaca é derrubada pela ação da lança do vaqueiro que desloca a sua garupa. Da mesma maneira que na prova de ensino, o conjunto recebe notas em função da qualidade da apresentação, considerando-se as transições na abordagem e na saída dos obstáculos, bem como a correção na passagem pelos mesmos.
            Finalmente, a competição é concluída com a prova de velocidade, na qual os competidores voltam a passar pela pista, com novos obstáculos e percurso, dessa vez valendo o menor tempo e a execução sem faltas.