Participação do Haras V8 na feira argentina “Nuestros Caballos”

13/07/2012

Revista Marcha Brasil
Pauta: Participação do Haras V8 na feira argentina “Nuestros Caballos”
Entrevistado: Ricardo Bacelar
 
 

  1. Como foi participar da feira “Nuestros Caballos”? Foi uma oportunidade especial apresentar o nosso Astro V8 durante a Feira Nuestros Caballos, realizada no tradicional parque de exposições “La Rural” em Palermo, Buenos Aires. Moramos em Buenos Aires durante o final dos anos 90 e início dos anos 2000, portanto temos um vínculo grande com a cidade, além de muitos amigos locais! Os argentinos tem uma forte ligação com o campo e gostam muito de cavalos, o que nos fez encarar essa oportunidade com muita honra e responsabilidade, afinal o público conhece do assunto e tínhamos a companhia de várias outras raças de cavalos durante a feira.
 
  1. Como foi feita a escolha dos haras e animais que iriam representar a raça na Argentina? De acordo o objetivo da ABCCMM de expansão internacional do Mangalarga Marchador, a apresentação em Buenos Aires deveria demonstrar as características da raça, dentre as quais temos 2 em que o Astro se destaca: a funcionalidade e a docilidade!
Por outro lado, no ano de 2011, fizemos uma cavalgada com 4 éguas da nossa criação com destino à Argentina. Após 2 etapas no Rio Grande do Sul, quando cavalgamos por cerca de 20 dias pelos Aparados da Serra e ao longo da Lagoa dos Patos, paramos próximo à fronteira com o Uruguay para concluir os trâmites de exportação das éguas, a fim de entrar na Argentina com a situação absolutamente legal. A terceira etapa da cavalgada estava planejada para a região dos Valles Calchaquies, na província de Salta, norte da Argentina.
Infelizmente, por diferenças entre os 2 países nos critérios para avaliar os resultados do exame de piroplasmose, decidimos não correr riscos e fizemos a etapa argentina em cavalos locais. Por conta desse projeto, tivemos contatos  com argentinos interessados em levar a raça para lá e adquirimos algum conhecimento com relação ao assunto da exportação.
 
  1. O exemplar escolhido para representar a raça foi o Astro V8? Por que escolheu o Astro? O Astro está em treinamento há cerca de 1 ano e meio para provas de Equitação de Trabalho, portanto se encontrava em boa forma e condições de apresentar a funcionalidade do Mangalarga Marchador.
 
  1. Faça um histórico do Astro V8. Premiações? Quando adquirimos um embrião de elite, no final de 2004, acreditamos que ali estava uma boa oportunidade para fazer um trabalho focado nos conceitos do nosso projeto de criação, que chamamos de 8 Virtudes. O planejamento então foi de seguir passo a passo as etapas de formação de um cavalo que possa expressar o melhor das virtudes que buscamos na nossa seleção: vontade, inteligência, rusticidade, temperamento, utilidade, docilidade, elegância e suavidade. As iniciais dessas virtudes formam a palavra VIRTUDES!  O Astro foi criado sempre solto, junto com os demais potros. Quando chegou a época dos primeiros acasalamenots, decidimos mantê-lo solto com as éguas. Sua doma foi realizada pelo mestre e Amigo Sérgio Beck, quem conduziu as etapas com muita calma e respeito pela natureza do cavalo, sem jamais intimidar ou submeter o cavalo à força. No seu primeiro ano de sela, fiz algumas provas de enduro de regularidade, para dar experiência nas trilhas, locais diferentes e outros cavalos desconhecidos. A partir daí, e por gostar muito da modalidade de Equitação de Trabalho, que já praticava com um cavalo Lusitano, escolhi o Astro para seguir este tipo de treinamento, dada a sua aptidão para uma equitação de base clássica e ao mesmo tempo voltada para as situações de lida de campo. No ano de 2011, o Astro estreou  na modalidade com bons resultados! Ganhou uma prova em Sorocaba e outra em Águas de Lindóia. Este ano também participou de uma prova em Itapira, vencendo novamente.
 
  1. Como o Astro foi treinado para participar da exposição argentina? O treinamento para a apresentação na Argentina seguiu o programa normal dele, sendo uma rotina de equitação clássica e os exercícios nos obstáculos das Equitação de Trabalho. Sobre essa base, a Luíza Magalhães, sua cavaleira e treinadora na Coudelaria Função, acrescentou algumas demonstrações da relação que os 2 desenvolveram neste ano e meio juntos, evidenciando a suavidade nos gestos de ambos e a confiança mútua conquistada!
 
 
  1. Quais são as características que prioriza na sua tropa? O projeto do Haras das 8 Virtudes tem como meta, através da criação e do trabalho da equipe, selecionar os indivíduos que melhor expressem as 8 virtudes que mais apreciamos nos cavalos: vontade, inteligência, rusticidade, temperamento, utilidade, docilidade, elegância e suavidade. Nosso entendimento é de que essas virtudes existem naturalmente nos cavalos, em intensidades diferentes de acordo com cada indivíduo, mas que também podem se manifestar melhor em função da forma como interagimos com eles e das condições de criação oferecidas. Ao longo do tempo, e geração após geração, buscamos um cavalo que apresente de forma genuína a expressão mais equilibrada dessas 8 virtudes.
 
  1. Faça um balanço da feira. Como foi a participação do Marchador? A feira “Nuestros Caballos” me impressionou pelo bom público, seu interesse e gosto pelos cavalos, variedade de raças e apresentações, e pela boa aferta de materiais relacionados às atividades eqüestres em geral, especialmente os trabalhos artesanais em couro, prata, ossos e chifres de animais.
 
  1. Gostaria de voltar? Tenho procurado freqüentar eventos eqüestres para ter uma visão mais ampla dos assuntos relacionados aos cavalos. Considero uma boa maneira para ver novas ideias e desenvolver a capacidade de avaliar melhor o que vamos fazendo no nosso haras. Nesse sentido, provavelmente vou selecionar novas feiras antes de repetir alguma que já tenha visitado.
 
  1. Como avalia a aceitação do Marchador fora do Brasil? O MM desperta bastante interesse no público que o conhece pela primeira vez. É uma raça com muitas qualidades que agradam a quem gosta de cavalo, especialmente àqueles que buscam no cavalo uma opção de lazer. A aceitação de quem tem a oportunidade de experimentar o cavalo é geralmente muito boa!
 
  1. Como foi a hospitalidade argentina? Durante a feira em Buenos Aires, temos que destacar o empenho do Carlos Di Somma, presidente do recém-criado núcleo na Argentina. Ele não mediu esforços para fazer dessa apresentação um sucesso e esteve pessoalmente à frente de cada atividade, o tempo todo, apresentando os cavalos, fazendo a locução traduzida das informações que o nosso diretor da ENA, Thiago Resende, prestava e atendendo a todos que visitavam o stand do Mangalarga Marchador! O que mais me impressionou foi a quantidade de famílias que vinham ver os cavalos após cada apresentação! As crianças se aproximavam e agradavam os cavalos por muito tempo! Os pais queriam sempre colocar os filhos montados para tirar fotos! Nossos 3 representantes deram um show de temperamento, após executarem demonstrações de marcha e função, eram sempre dóceis e calmos diante da aproximação do público, que mais parecia “um verdadeiro enxame” de gente!
 
  1. Qual a vantagem de mostrar o Marchador para o mundo? Costumo comprar livros sobre cavalos em geral sempre que encontro algum novo e interessante! Fico surpreso ao ver que uma raça com tantos criadores e cavalos registrados esteja ausente de tantos livros internacionais sobre cavalos no mundo! Raças com muito menor expressão numérica aparecem em livros trazendo informações sobre suas origem, características e desempenho. Raramente encontro o mesmo para o nosso MM! As vezes encontro uma breve referência superficial, misturada com outras raças brasileiras ou da América do Sul … Acredito que esse trabalho de apresentar o MM em eventos na Europa e agora na Argentina possam ajudar a mudar essa situação.
 
  1. O que mudou depois de participar de um evento internacional? Especificamente, aumentou minha preocupação com o controle dos carrapatos! É um problema de grande impacto para as possibilidades de expansão internacional da raça.
 
  1. Como avalia a raça hoje?
Eu gosto muito de cavalos em geral! Gosto de conviver com eles em liberdade e de montar, seja no trabalho da fazenda, percorrendo o cafezal, seja em passeios ou cavalgadas longas, ou ainda praticando algum esporte, no meu caso, os enduros e a equitação de trabalho. Poderia fazer tudo isso com cavalos de várias raças, mas minha preferência é pelo Mangalarga Marchador! A raça tem muitas características boas para lidarmos com ela. No nosso haras procuramos trabalhar sob a forma de virtudes! Vejo claramente um grande potencial para a consolidação do MM como um cavalo de sela fantástico, muito equilibrado, que atenda com muita qualidade às necessidades de criadores, fazendeiros e pessoas que buscam no cavalo uma forma de lazer. Vejo também uma evolução contínua em vários aspectos da criação, do treinamento e das exposições. Esse é o melhor caminho para crescer e conquistar novos admiradores: evolução! Dificilmente a evolução se consegue com unanimidade, sem passar por alguma “turbulência” e dúvidas … “não se faz um omelete sem quebrar os ovos”. Acredito nisso, mas acredito sobretudo em planejamento sério, tecnicamente fundamentado, com critérios claros, objetivos bem comunicados e uma execução disciplinada.